MINHAS CRÔNICAS - MEU SENTIR


24-12-17


Uma crônica de Natal - A Espada do Espirito

Ainda ontem, , na véspera do Natal, as imagens da TV mostravam os métodos que a humanidade desenvolveu para tirar a vida de seres humanos. A execução de adversários, entre os homens, foi sempre a maneira mais rápida e objetiva de deles se livrar. Horrível lembrar isso, mas o que fazer se não temos o controle de imagens que nos são enfiadas goelas abaixo, a não ser o click do power ( on) ou do off? Mas justo no Natal? Quando se rememoraria o nascimento de quem era o enviado do Alto para mudar as coisas? Claro que, em termos da cronologia, ainda não era tempo de semana santa, com as imagens de sua crucificação.

 

Como cronista, “eu construo um templo ao tempo” e me conformo em escrever sobre o tema. Falando das origens do mal, do silêncio dos inocentes, do mundo de maldade, eu também estaria a par de meu discurso contra a violência e, claro, execrando o apocalípse. Logo ali na estante de livros eu encontro um livro ideal que rima com o seu título – Hannibal. Em alemão, Thomaz Harris ( americano , que o escreveu em inglês , na sua verve de reporter policial de casos macabros) já começa citando o “mann sollte annehmen...” e já sei o que virá adiante, neste que é dos livros mais perturbadores da literatura mundial, quando se pode ler sobre a vida de um lindo menino, carinhoso e inteligente, tornar-se um psicopata animal já se sabe ser produto de uma doutrina totalitária, onde o matar era do cotidiano da guerra do comunismo e do nazismo , para não falar do capitalismo selvagem. Durante toda sua vida ele carrega os seus demônios e os esparrama sobre a terra, sem dó nem piedade. É o Dr Lecter, já personagem de filmes que todos viram e sabem que a história encontra Goethe e Gogol,cuja evocação literária mostram uma terrivel saga.

 

Os tão elogiados franceses e os espanhóis, tanto uns quanto outros, russos, alemães, africanos, italianos, americanos, chineses e coreanos já tiveram, todos, mesmo alguns abrasileirados hannibals com o terror evocado em muitas sagas. Onde está a origem do mal? Não se pode dizer, pelo que se pode ver, quando se tem pela frente as imagens da inquisição cristã-religiosa da idade média, na noite de São Bartolomeu, no massacre religioso da história anglicana. Está no homem.

 

Mas que péssimo gosto, rapaz, eu me digo. Logo hoje, neste Natal iluminado? Hoje, na manjedoura, vejo o recém nascido. Me incomoda saber que, em outra crônica, mais adiante, eu deva reproduzir, no homem crucificado de 33 anos, as palavras de Hannibal, no Cap 47, ao dizer que “Nossas cicatrizes servem para nos lembrar que o passado foi real.”

 

Uma estranha voz, tentando me confortar, me diz que atitudes boas e más dividem os mesmos circuitos cerebrais ( in David Linden, The compress of preasure, Mariland University). Ele quis se referir a virtudes e vícios, mas não justifica o sentimento negativo que me veio em pleno Natal. O que fazer senão confiar na Espada do Espírito?

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 19h27
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12-12-17


Atrizes no Cinema e na TV

Em recente programa televisivo em um quadro que se propunha escolher a melhor atriz do ano, uma delas ( que, ao parece se imaginara a escolhida) não o foi. E aí o noticiário relata um “piti” danado, com a pessoa abandonando o palco e etcetera e tal. Os repórteres não perdoaram. Divulgaram o fato. E daí, um mundo de comentários, negativos ou positivos, como era de se esperar.

 

Tal fato me levou imediatamente à leitura, que há tempos eu fizera,  com a profunda abordagem de uma coletânea, organizada por Albertina de Oliveira Costa e Cristina Bruschini, Ed Rosa dos tempos, Fundação Carlos Chagas, 1992, Mulheres no Brasil, Condições sociais e feminilidade. O título – Entre a Virtude e o Pecado.

 

A parte mais curiosa de tal trabalho , em meu entender, foi quando se falou na Arte da Sedução no Cinema Mudo, com foco nas “ingênuas e vampiros”. O carater das personagens era diretamente ligado à sua representação iconográfica na tela, como como a de seu tipo físico e no seu modo se embelezar, com ou sem roupas. A tipologia relatada falava das “ingênuas” (sempre fisicamente frágeis, magrelas e de feições angelicais ), delicadas como um “biscuit” e ,de outro lado, as “vamps” com suas curvas avantajadas e insinuantes, em resumo, as formas esculturais da exuberância.

 

As heroínas eram puras como espelhos de gente rica, sem o hálito do sofisma e todas exposts aos “vilões”, até que chegasse o “galã” e a salvasse das malicias do mundo. Salvo engano, o ícone dos tempos foi a tal de Greta, a garbosa sueca. Um belo encontro do físico com a candura espiritual. A mulher-mistério. Ufa....Estamos cento e tantos anos depois. E a não escolhida dando um “piti”...

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 11h06
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9-12-17


Belo Horizonte de antanho e El Greco

Nossa mineira capital tem lá suas boas lembranças, como a do fotógrafo El Greco. Boa a lembrança de seu estudio bem no centro da Capiatal. E a cidade ainda guarda de tal tampo boas lembranças. Somente muitas décadas depois eu me dediquei a buscar de onde vinha tanta arte. o staqrat de tal envolvimento se deu quando vi a magnifica obra na belissima casa de shows de um artistaq plástico na entrada de nova Lima, com o nome sugestivo de O Esopo.Tudo a ver os gregos e sua influência. E ao longo do tempo fui deparar com a magnifica obra "O enterro do Conde Orgaz" (1586-1588) é a obra mais destacada de DoménikosTheotokópoulos, conhecido como El Greco.

 

O Senhor Orgaz (Gonzalo Ruiz de Toledo) viveu no século XIV (faleceu em 1323) e era uma figura proeminente da cidade de Toledo, reconhecido pela sua generosidade, religiosidade e pelas suas inúmeras obras de caridade. Ele transformou uma mesquita em igreja católica, com os seus recursos e doou-a à paróquia de Santo Tomé. Aquando da sua morte, criou-se a lenda de que Santo Agostinho e Santo Estevão estiveram presentes no seu enterro e conduziram-no pessoalmente ao descanso final. Para perpetuar o facto, passados 200 anos, o pároco de Santo Tomé encomendou a El Greco uma obra como registo desse importante fato.

continua...

O quadro é dividido em duas metades, a inferior, representa a parte terrestre com o corpo do Conde a ser sepultado por Santo Agostinho e Santo Estevão, observados por um conjunto de nobres. El Greco representou-se a si mesmo e ao seu filho em primeiro plano. A metade superior, mostra-nos o céu onde no topo está Jesus Cristo, à esquerda a Virgem Maria e à direita vários santos, entre eles S. João e Santo Tomás. Estão, ainda, representadas figuras do antigo testamento como Moisés, David e Noé. Como elo de ligação entre as duas partes, está a alma do morto representada por uma criança levada para o céu por um anjo.

 

Nesta obra, El Greco emprega dois estilos diferentes. Na metade inferior da obra, ele pintou imagens mais naturalistas e esculturais, juntamente com retratos de importantes personalidades da cidade de Toledo. Na metade superior da pintura, El Greco adotou o maneirismo, usando cores extravagantes, disposições espaciais incomuns e formas distorcidas para sugerir uma dimensão divina, enquanto a alma do conde sobe aos céus. Entre as personalidades famosas de Toledo da época, está o próprio El Greco. Ele é o sétimo da esquerda para a direita, com a mão levantada à altura do colarinho. O filho do artista também se encontra na tela. Ao lado de Santo Estevão, à esquerda do quadro, Jorge Manuel (filho do pintor) gesticula em direção ao enterro, agindo como uma ligação entre o mundo real do espectador e o mundo imaginário da obra. Um lenço no seu bolso exibe a assinatura de El Greco e o ano 1578: data de nascimento do menino.

 

O quadro encontra-se no seu local original, a igreja de Santo Tomé de Toledo. Ainda vou lá ver e me lembrar, taqmbém, do Esopo e minha BH.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 13h12
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