MINHAS CRÔNICAS - MEU SENTIR


31-10-17


Reflexões escatológicas

Confesso que hoje estou estranho. E me lembro que há algum tempo eu me socorria sempre de Duchamp para tentar entender alguma coisa deste mundo. Com efeito, em aulas que tive em um curso de fotografia, o autor francês me foi apresentado, com sua arte da foto de um urinol, com a qual fez maior sucesso, e se tornou conhecido pelas reflexões do inusitado.

 

Fui correndo a um livro espetacular no qual tenho o autógrafo do Autor, em um lançamento, nos idos de 2009. Eu me refiro ao mineiro Affonso Romano de Santa´Anna, eu seu ENIGMA VAZIO, falando sobre os impasses da arte e da crítica. ( Quando dele recebi o livro, fiz-lhe a homenagem , lembrando-o que ele e eu éramos filhos de policiais militares das Miinas Gerais, lembrança que ele muito agradeceu.)

 

Ah, sim, fui ao Affonso. Mas, antes, fiz uma visitinha à nossa mineira Maura Lopes Cançado ( sic) em sua obra “HOSPICIO É DEUS”, que ela dedica a ela mesma, se intitulando como a sofredora do ver, e por certo viu, como eu, o pinico de Duchamp, não sem antes falar em Sarte. E ela refrisa que “mentira é tão verdadeira quanto a verdade, pois a verdade é uma convenção dos mentirosos”. Voltemos ao Affonso. Num determinado momento ela faz suas considerações sobre a imundície, relatando que virou lugar comum entre asrtis usar materiais como pentelhos, fios de cabelo, pedações de unha, sague e exrecrementos. E põe no livro a obra de Pero Manzoni, divulgada em 1961, fazendo muito sucesso, onde o italiano colocou em latinhas de 5 cm de altura, colheres de cocô ( evitei usar a palavra “ bosta” por que é muito feia ) e escreveu, com elogiável precisão o título “ Merda d´artista” tendo vendido centenas de exemplares para um público fascinando com tamanha criatividade.

 

Entre nós tivemos um seguidor de tal arte escatológica. Eu me refiro francamente a um Goiano que expôs um monte de bosta na entrada de um Museu Nacional. Enorme sucesso, inclusive de uma foto que tirei, na época e que deve estar no meu site de fotos.

 

Neste momento de loas à imundície pergunta-se “ se foi lícito a Duchamp fazer sucesso, por que não se dá o mesmo direito aos demais que desejam imitá-lo?". Nem me venha com a idéia de que Duchamp sacralizou artisticamente a não-arte” a “não-estética”, e com tanta indagação e critica na cabeça, no final da vida, segundo relatos, acabou desorientado diante de tanto prestígio que faturou com sua própria desorientação.

 

Tudo bem. Já falamos muito e é hora de parar, embora a pergunta que fica é se ainda hoje se compõe com “merda”. Claro que fezes e urina tem, sob o ponto de vista psicanalítico um significado simbólico, estético e religioso.

 

Então, para finalizar, fica a pergunta de como compatibilizar o sagrado, o imundo e o artístico, especialmente quando o foco é a vida no mundo de hoje com a estética dos banheiros químicos e a imundície dos episódios políticos. Então????

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 11h57
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28-10-17


Eu, os meus e os cupins

Há tempos escrevi uma crônica sobre os insetos que atacaram os meus papéis guardados. Fizeram uma verdadeira moxinifada ( restos de insetos, celulose mastigada, excrementos, mofo, etc). Quem nem uma salada, uma miscelânea, um mix. Estou rindo... E o faço de propósito... Pessoas que leem meus escritos dizem que tem de estar com o dicionário ao lado. Aí está mais uma palavra que ninguém mais vai esquecer, principalmente se lembrarmos que sempre vivemos numa verdadeira moxinifada política, ou seja uma mistura confusa de incertezas econômicas, trapalhadas castelares e alopramentos, os mais variados, sem que ninguém sabe se definir. Pior que isso vem acontecendo com o mundo. ( A palavra difícil tem origem no árabe "moksi" – coisa misturada).


Mas o que tem isso a ver com os cupins ? E com a família de um santo espírito? Muita coisa. E já explico.


Se pensarmos que estamos comemorando os 200 anos de Darwin, tem tudo a ver. A teoria evolucionista joga no chão o criacionismo. E, se o cientista vivesse hoje ele veria mais um dado para seus escritos. Veria o quanto os cupins são “ inteligentes” a ponto de nos fornecer elementos para um diagnóstico de nosso eu interior. Eles testam os nossos neurônios como diabinhos prontos para nos testar, que nem o fizeram com o Jesus Cristo. Aliás o texto evangélico de hoje fala numa dessas proezas. Trata daquele caso em que o Mestre chegou à casa de uma família para um “vade retro” no infeliz. Mas foi advertido pela mãe que esperasse a refeição, no que Ele viu que se estava atirando migalhas para os cachorrinhos, embaixo da mesa. E Ele não gostou. Entra em cena a mãe, "advertindo" o Mestre para a humildade famélica dos bichinhos. Comer em baixo da mesa... Ele “pensou” melhor e já deu uma ordem exorcista ali mesmo. Ou seja, a mãe tinha razão. E qual mãe que não o tem?


E justamente no dia desse episódio eu fico sabendo que o quadro A Sagrada Familia, de Portinari, que está como valiosíssima obra, numa Igreja de Batatais, foi atacado pelos cupins. E neste caso, nem se pode culpar o Mestre por tê-lo permitido. É que Ele ainda está no quadro figurado como uma criança ainda, no máximo uns 7 anos, de mãos dadas ao José e à Maria, que também não estão nem aí, pois o mais querem ( pelo menos é o que Portinari quis mostrar, eu acho) é sua bela cria ao mundo dos homens, a maioria de incréus.


Mas os ditos insetos fizeram um bom estrago. Não dá para inculpar ninguém. É questão da teoria evolucionista. Eles “quiseram” mostrar sua inteligência, chamando atenção para o cuidado com os “eus” de cada um . Parecem ter se associado a Jung ou a Lacan, para citar dois astros da psicanálise.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 14h55
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