MINHAS CRÔNICAS - MEU SENTIR


1-2-18


Tydson Sampaio, 66 anos e o Jogo da Amarelinha

“À la Cortázar”, hoje falo de um coincidência. Tomo em minhas mãos “ O último round” de Cortázar, releio algumas páginas e saio à rua. Alí perto de casa, encontRo no “Delicias de Minas” ( SQN 310 Norte) o Tydson Tadeu, mineiro de bons costados - nascido na  famosa Mariana, e seu lamaçal da Veae) que me vende um delicioso queijim de Minas. Falamos sobre variados assuntos e descobri que ele gosta de vender livros. E de escrever poesias de sutis torues de Minas. Esta é uma delicia que ele não vende. Oferece, mineiramente e deliciosamente.!!!

 

E de repente, uma surpresa. Ele me presenteia com um texto poético, com o título de “ ESTRADA DE TIJOLOS AMARELOS”. È muita coincidência. Inspiração do Cortázar? E no caso eu me refiro ao Jogo da Amarelinha, que é uma novela do argentino. Foi escrita e publicada em Paris e Espanha, nos idos anos 60, da juventude dourada. Ora, é esta uma narrativa que brinca com a subjetividade do leitor, com ramificações insondáveis que partem de um comentário sobre o personagem como uma das primeiras obras do surrreal na Amarica Latina.. A gente lê o livro do jeito que a gente quiser e se diverte muito, tudo num belo triângulo amoroso.

 

E não é que o Tydson, no seu escrito , tece os seus versos, falando de uma noite sombria em que poetizava sonhos e enrolava seus desejos, em torno de sua alma peregrina, pétala por pétala, brincando com uma rosas que desabrocha na alma de sue subconsciente e faz a noite virar num simple piscar de olhos??!!!

 

E ele fala dos tijolos amarelos, com os pés avermelhados do lameado de chão, em torno de uma fazenda com seus bezerrinhos mamando nas vistosas têtas, e ouve o rosronar dos porcos, e canários e pássaros em coral em coro de harmonia as mais diversas. Ele lembra o Rio Guamaxo, A Ponte Nova de sua Infância, suas cristalinas águas que logo adiante iriam para o Atlântico desconhecido. E lamenta que os dias tão lindos de esperanças já não mais voltarão e diz da saudade de uma poeira que o vento levou e não mais voltará. Bela poesia, Tydson.

 

Uma delicia amigo Tydson. Além das comidinhas mineiras, nos presenteia com esta lembrança mineira à la Cortázar. Isto não é para qualquer um, viu??? Valeu...Salve Minas e seus Poetas desconhecidos.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 19h04
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14-1-18


Reencontro com o Arquiteto

Há uns dez anos escrevi sobre a leveza de Niemayer. E ontem, ao assistir uma comédia na mais nova obra do notável arquiteto, com a companhia de comédia "os Melhores do Mundo", eu me lembrei no Arquiteto e agora sobre ele vem a rescrita de um meu relato, o que fiz há una década.

Desde a perda de meus dados do computador atingido por um raio ando meio cambalido, como Baudolino, de Umberto Eco, depois que ele perdeu seus primeiros manuscritos, nos quais havia suas crônicas. Tais escritos eram seus amuletos. Não se desgarrava deles.

Hoje, porém, ainda com base na técnica que um Mestre lhe ensinou, de que devia escreve de noite o que havia lhe acontecido de manhã, passo a reunir os fatos mais importantes pra ter, mais tarde, a história de sua vida.

Pois é. Vou fazer isso também. E hoje estou vendo todo mundo comentar sobre os 100 anos de Niemayer. Este notável gênio, de projeção mundial na Arquitetura, toda hora está na TV, nos Jornais e nas Revistas. Sempre fala, tranqüilamente, de seus trabalhos. E são muitos.

Já que todo mundo está falando, não consigo ficar sem falar, embora eu o xingue sempre que vejo a Rodoviária do Eixo Monumental, um símbolo da exclusão social cravada bem no coração da Capital onde ele tem a maioria de suas obras de arte.

E dali, no meio daquela “grã confusão” ( expressão do Baudolino) basta esticar os olhos para que se veja, no mínimo, umas seis delas, espalhando um ar de leveza naquele ar pesado da mistura social. Gente passando pra lá e pra cá, apressada, raquíticos uns, mui gordos outros, uma “misturega” das classes sociais mais pobres, tentando se organizar naquele formigueiro humano.

E fico vendo tudo isto na minha frente e imaginando o gesto ousado de um arquiteto de construir uma cidade. Por mais que tenha boa vontade e competência, são as pessoas que, na verdade, a farão. Por maior que sejam o rigor e a gravidade dos projetos, a composição, no seu todo, se destina às pessoas, que sempre deixarão seus rastros nos gramados, que olharão com olhar de suspeição uma funcionalidade ou faraonismo discutíveis para não dizer do pesado concreto de algumas que massacram a humildade, num lugar onde se evocam deuses do apaziguamento de ânimos num ritual de civilidade.

 

Claro que diante das contradições de uma obra há se perguntar pelas próprias contradições da vida. Um fazer arquitetônico evoca o bi, o tri ou ou multi-dimensional. A “linha reta que te quero curva”, de um poeta, ou as paralelas seguindo juntas, nas rampas do cima-embaixo ou vice-versa, sempre terão lugar para evocação à estética ou às próprias e profundas indagações sobre a natureza humana. Foi assim na arte egípcia, na greco-romana , na dos povos orientais, e na dos povos ainda pouco estudados da América do Sul, arte inca ou maia.

O que se vê dos 100 anos do arquiteto é a sobrevida de quem viveu fazendo o que gosta de fazer. Isto é um exemplo magnífico, por maiores que sejam as contradições que nele se insista em ver. Quem me inspira a dizer isso é a deusa da balança, a Maat, uma vez que ao mirar as filosófico-helenas curvas de seus traçados, vejo a pluma colocada em um dos pratos da balança em que se pesavam as almas.//É como se sentir no céu, especialmente pela conjugação com as curvas da mãe-natureza. A alma está leve na balança de Maat

E leveza é poesia, portanto, imune ao tempo.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 17h09
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24-12-17


Uma crônica de Natal - A Espada do Espirito

Ainda ontem, , na véspera do Natal, as imagens da TV mostravam os métodos que a humanidade desenvolveu para tirar a vida de seres humanos. A execução de adversários, entre os homens, foi sempre a maneira mais rápida e objetiva de deles se livrar. Horrível lembrar isso, mas o que fazer se não temos o controle de imagens que nos são enfiadas goelas abaixo, a não ser o click do power ( on) ou do off? Mas justo no Natal? Quando se rememoraria o nascimento de quem era o enviado do Alto para mudar as coisas? Claro que, em termos da cronologia, ainda não era tempo de semana santa, com as imagens de sua crucificação.

 

Como cronista, “eu construo um templo ao tempo” e me conformo em escrever sobre o tema. Falando das origens do mal, do silêncio dos inocentes, do mundo de maldade, eu também estaria a par de meu discurso contra a violência e, claro, execrando o apocalípse. Logo ali na estante de livros eu encontro um livro ideal que rima com o seu título – Hannibal. Em alemão, Thomaz Harris ( americano , que o escreveu em inglês , na sua verve de reporter policial de casos macabros) já começa citando o “mann sollte annehmen...” e já sei o que virá adiante, neste que é dos livros mais perturbadores da literatura mundial, quando se pode ler sobre a vida de um lindo menino, carinhoso e inteligente, tornar-se um psicopata animal já se sabe ser produto de uma doutrina totalitária, onde o matar era do cotidiano da guerra do comunismo e do nazismo , para não falar do capitalismo selvagem. Durante toda sua vida ele carrega os seus demônios e os esparrama sobre a terra, sem dó nem piedade. É o Dr Lecter, já personagem de filmes que todos viram e sabem que a história encontra Goethe e Gogol,cuja evocação literária mostram uma terrivel saga.

 

Os tão elogiados franceses e os espanhóis, tanto uns quanto outros, russos, alemães, africanos, italianos, americanos, chineses e coreanos já tiveram, todos, mesmo alguns abrasileirados hannibals com o terror evocado em muitas sagas. Onde está a origem do mal? Não se pode dizer, pelo que se pode ver, quando se tem pela frente as imagens da inquisição cristã-religiosa da idade média, na noite de São Bartolomeu, no massacre religioso da história anglicana. Está no homem.

 

Mas que péssimo gosto, rapaz, eu me digo. Logo hoje, neste Natal iluminado? Hoje, na manjedoura, vejo o recém nascido. Me incomoda saber que, em outra crônica, mais adiante, eu deva reproduzir, no homem crucificado de 33 anos, as palavras de Hannibal, no Cap 47, ao dizer que “Nossas cicatrizes servem para nos lembrar que o passado foi real.”

 

Uma estranha voz, tentando me confortar, me diz que atitudes boas e más dividem os mesmos circuitos cerebrais ( in David Linden, The compress of preasure, Mariland University). Ele quis se referir a virtudes e vícios, mas não justifica o sentimento negativo que me veio em pleno Natal. O que fazer senão confiar na Espada do Espírito?

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 19h27
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12-12-17


Atrizes no Cinema e na TV

Em recente programa televisivo em um quadro que se propunha escolher a melhor atriz do ano, uma delas ( que, ao parece se imaginara a escolhida) não o foi. E aí o noticiário relata um “piti” danado, com a pessoa abandonando o palco e etcetera e tal. Os repórteres não perdoaram. Divulgaram o fato. E daí, um mundo de comentários, negativos ou positivos, como era de se esperar.

 

Tal fato me levou imediatamente à leitura, que há tempos eu fizera,  com a profunda abordagem de uma coletânea, organizada por Albertina de Oliveira Costa e Cristina Bruschini, Ed Rosa dos tempos, Fundação Carlos Chagas, 1992, Mulheres no Brasil, Condições sociais e feminilidade. O título – Entre a Virtude e o Pecado.

 

A parte mais curiosa de tal trabalho , em meu entender, foi quando se falou na Arte da Sedução no Cinema Mudo, com foco nas “ingênuas e vampiros”. O carater das personagens era diretamente ligado à sua representação iconográfica na tela, como como a de seu tipo físico e no seu modo se embelezar, com ou sem roupas. A tipologia relatada falava das “ingênuas” (sempre fisicamente frágeis, magrelas e de feições angelicais ), delicadas como um “biscuit” e ,de outro lado, as “vamps” com suas curvas avantajadas e insinuantes, em resumo, as formas esculturais da exuberância.

 

As heroínas eram puras como espelhos de gente rica, sem o hálito do sofisma e todas exposts aos “vilões”, até que chegasse o “galã” e a salvasse das malicias do mundo. Salvo engano, o ícone dos tempos foi a tal de Greta, a garbosa sueca. Um belo encontro do físico com a candura espiritual. A mulher-mistério. Ufa....Estamos cento e tantos anos depois. E a não escolhida dando um “piti”...

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 11h06
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9-12-17


Belo Horizonte de antanho e El Greco

Nossa mineira capital tem lá suas boas lembranças, como a do fotógrafo El Greco. Boa a lembrança de seu estudio bem no centro da Capiatal. E a cidade ainda guarda de tal tampo boas lembranças. Somente muitas décadas depois eu me dediquei a buscar de onde vinha tanta arte. o staqrat de tal envolvimento se deu quando vi a magnifica obra na belissima casa de shows de um artistaq plástico na entrada de nova Lima, com o nome sugestivo de O Esopo.Tudo a ver os gregos e sua influência. E ao longo do tempo fui deparar com a magnifica obra "O enterro do Conde Orgaz" (1586-1588) é a obra mais destacada de DoménikosTheotokópoulos, conhecido como El Greco.

 

O Senhor Orgaz (Gonzalo Ruiz de Toledo) viveu no século XIV (faleceu em 1323) e era uma figura proeminente da cidade de Toledo, reconhecido pela sua generosidade, religiosidade e pelas suas inúmeras obras de caridade. Ele transformou uma mesquita em igreja católica, com os seus recursos e doou-a à paróquia de Santo Tomé. Aquando da sua morte, criou-se a lenda de que Santo Agostinho e Santo Estevão estiveram presentes no seu enterro e conduziram-no pessoalmente ao descanso final. Para perpetuar o facto, passados 200 anos, o pároco de Santo Tomé encomendou a El Greco uma obra como registo desse importante fato.

continua...

O quadro é dividido em duas metades, a inferior, representa a parte terrestre com o corpo do Conde a ser sepultado por Santo Agostinho e Santo Estevão, observados por um conjunto de nobres. El Greco representou-se a si mesmo e ao seu filho em primeiro plano. A metade superior, mostra-nos o céu onde no topo está Jesus Cristo, à esquerda a Virgem Maria e à direita vários santos, entre eles S. João e Santo Tomás. Estão, ainda, representadas figuras do antigo testamento como Moisés, David e Noé. Como elo de ligação entre as duas partes, está a alma do morto representada por uma criança levada para o céu por um anjo.

 

Nesta obra, El Greco emprega dois estilos diferentes. Na metade inferior da obra, ele pintou imagens mais naturalistas e esculturais, juntamente com retratos de importantes personalidades da cidade de Toledo. Na metade superior da pintura, El Greco adotou o maneirismo, usando cores extravagantes, disposições espaciais incomuns e formas distorcidas para sugerir uma dimensão divina, enquanto a alma do conde sobe aos céus. Entre as personalidades famosas de Toledo da época, está o próprio El Greco. Ele é o sétimo da esquerda para a direita, com a mão levantada à altura do colarinho. O filho do artista também se encontra na tela. Ao lado de Santo Estevão, à esquerda do quadro, Jorge Manuel (filho do pintor) gesticula em direção ao enterro, agindo como uma ligação entre o mundo real do espectador e o mundo imaginário da obra. Um lenço no seu bolso exibe a assinatura de El Greco e o ano 1578: data de nascimento do menino.

 

O quadro encontra-se no seu local original, a igreja de Santo Tomé de Toledo. Ainda vou lá ver e me lembrar, taqmbém, do Esopo e minha BH.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 13h12
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30-11-17


Reflexões escatológicas

Reflexões escatológicas Pensando em "skatos" ??? Nem queiram saber o que isto significa no grego!!! Confesso que hoje estou estranho. E me lembro que há algum tempo eu me socorria sempre de Duchamp para tentar entender alguma coisa deste mundo. Com efeito, em aulas que tive em um curso de fotografia, o autor francês me foi apresentado, com sua arte da foto de um urinol, com a qual fez maior sucesso, e se tornou conhecido pelas reflexões do inusitado. Fui correndo a um livro espetacular no qual tenho o autógrafo do Autor, em um lançamento, nos idos de 2009.

 

Eu me refiro ao mineiro Affonso Romano de Santa´Anna, eu seu ENIGMA VAZIO, falando sobre os impasses da arte e da crítica. ( Quando dele recebi o livro, fiz-lhe a homenagem , lembrando-o que ele e eu éramos filhos de policiais militares das Miinas Gerais, lembrança que ele muito agradeceu.) Ah, sim, fui ao Affonso. Mas, antes, fiz uma visitinha à nossa mineira Maura Lopes Cançado ( sic) em sua obra “HOSPICIO É DEUS”, que ela dedica a ela mesma, se intitulando como a sofredora do ver, e por certo viu, como eu, o pinico de Duchamp, não sem antes falar em Sarte.

 

E ela refrisa que “mentira é tão verdadeira quanto a verdade, pois a verdade é uma convenção dos mentirosos”. Voltemos ao Affonso. Num determinado momento ela faz suas considerações sobre a imundície, relatando que virou lugar comum entre asrtis usar materiais como pentelhos, fios de cabelo, pedações de unha, sague e exrecrementos.

 

E põe no livro a obra de Pero Manzoni, divulgada em 1961, fazendo muito sucesso, onde o italiano colocou em latinhas de 5 cm de altura, colheres de cocô ( evitei usar a palavra “ bosta” por que é muito feia ) e escreveu, com elogiável precisão o título “ Merda d´artista” tendo vendido centenas de exemplares para um público fascinando com tamanha criatividade. Entre nós tivemos um seguidor de tal arte escatológica. Eu me refiro francamente a um Goiano que expôs um monte de bosta na entrada de um Museu Nacional. Enorme sucesso, inclusive de uma foto que tirei, na época e que deve estar no meu site de fotos.

 

Neste momento de loas à imundície pergunta-se “ se foi lícito a Duchamp fazer sucesso, por que não se dá o mesmo direito aos demais que desejam imitá-lo?". Nem me venha com a idéia de que Duchamp sacralizou artisticamente a não-arte” a “não-estética”, e com tanta indagação e critica na cabeça, no final da vida, segundo relatos, acabou desorientado diante de tanto prestígio que faturou com sua própria desorientação. Tudo bem. Já falamos muito e é hora de parar, embora a pergunta que fica é se ainda hoje se compõe com “merda”.

 

Claro que fezes e urina tem, sob o ponto de vista psicanalítico um significado simbólico, estético e religioso. Então, para finalizar, fica a pergunta de como compatibilizar o sagrado, o imundo e o artístico, especialmente quando o foco é a vida no mundo de hoje com a estética dos banheiros químicos e a imundície dos episódios políticos. Então????

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 17h59
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26-11-17


O "Titanic" da minha literatura

Li, hoje, a reportagem sobre o submarino argentino que sumiu e está em lugar incerto e não sabido, malgrado dezenas de navios patrulha estejam em busca de localizá-lo no fundo do mar gelado do Atlântico Sul.

 

E me lembrei de algo que escrevi, há tempos, imaginando um desastre semelhante, de uma familia que, um dia, morando e Londres, projetou embarcar em seu NAVIO DOS SONHOS.E não conseguiram, advindo tremenda frustração, só desfeita depois da noticia do infausto.

 

Sorte ou azar, não se sabe, mesmo frustrações servem de motivo de conto mais tarde, como realçou alguém, que ainda ao tempo em que esteve em Londres, acompanhou os dias da partida do Titanic, visitou seus aposentos com seu pai, chegaram a aprontar malas e roupas para a viagem, mas ao comprar as passagens foram surpreendidos pelo fato de terem se esgotado, não podendo realizar o seu sonho de embarque, uma viagem esperada, mas que teria resultado na tragédia de ter sucumbido com o navio dos sonhos nas cavidades oceânicas sobre a terra, feitas pelo universo talvez para abrigar, junto com os incógnitos calamares, o engenho humano que prever não conseguiu seu choque com um iceberg.

 

Ainda naqueles dias dissera a mãe a seus fillhos:“Sonhei com mergulhadores tentando buscar os sobreviventes do naufrágio, ela teria sido uma das vítimas. Veja-se as contradições da vida, repetiu. Ao mesmo tempo em que desejei tanto a viagem, algum obstáculo estava no caminho a me impedir. A vida permanece. Ela é eterna e continua seu fluxo. Revivo os paralelos da vida nos sonhos meus. Isto me vivifica cada vez mais, finalizou, os brilhantes que ornavam minhas sandálias não se perderam no fundo do mar gelado e ainda dariam olhos novos a novas manifestações de amor de todos que me cercam, neste eterno momento da vida."

 

Estando diante de tais contradições da vida, fez o seguinte relato: "Ao mesmo tempo em que se desejou tanto a viagem, algum obstáculo estava no caminho a me impedir. A vida permanece. Ela é eterna e continua seu fluxo. Revive-se os paralelos da vida nos sonhos. Isto vivifica uma frustrada personagem cada vez mais, finalizou, enquanto mirava os brilhantes que ornavam minhas sandálias não se perderam no fundo do mar gelado e ainda dariam olhos novos a novas manifestações de amor de todos poderia ter na vida, em tantos eternos momentos que ela possui."

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 14h46
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31-10-17


Reflexões escatológicas

Confesso que hoje estou estranho. E me lembro que há algum tempo eu me socorria sempre de Duchamp para tentar entender alguma coisa deste mundo. Com efeito, em aulas que tive em um curso de fotografia, o autor francês me foi apresentado, com sua arte da foto de um urinol, com a qual fez maior sucesso, e se tornou conhecido pelas reflexões do inusitado.

 

Fui correndo a um livro espetacular no qual tenho o autógrafo do Autor, em um lançamento, nos idos de 2009. Eu me refiro ao mineiro Affonso Romano de Santa´Anna, eu seu ENIGMA VAZIO, falando sobre os impasses da arte e da crítica. ( Quando dele recebi o livro, fiz-lhe a homenagem , lembrando-o que ele e eu éramos filhos de policiais militares das Miinas Gerais, lembrança que ele muito agradeceu.)

 

Ah, sim, fui ao Affonso. Mas, antes, fiz uma visitinha à nossa mineira Maura Lopes Cançado ( sic) em sua obra “HOSPICIO É DEUS”, que ela dedica a ela mesma, se intitulando como a sofredora do ver, e por certo viu, como eu, o pinico de Duchamp, não sem antes falar em Sarte. E ela refrisa que “mentira é tão verdadeira quanto a verdade, pois a verdade é uma convenção dos mentirosos”. Voltemos ao Affonso. Num determinado momento ela faz suas considerações sobre a imundície, relatando que virou lugar comum entre asrtis usar materiais como pentelhos, fios de cabelo, pedações de unha, sague e exrecrementos. E põe no livro a obra de Pero Manzoni, divulgada em 1961, fazendo muito sucesso, onde o italiano colocou em latinhas de 5 cm de altura, colheres de cocô ( evitei usar a palavra “ bosta” por que é muito feia ) e escreveu, com elogiável precisão o título “ Merda d´artista” tendo vendido centenas de exemplares para um público fascinando com tamanha criatividade.

 

Entre nós tivemos um seguidor de tal arte escatológica. Eu me refiro francamente a um Goiano que expôs um monte de bosta na entrada de um Museu Nacional. Enorme sucesso, inclusive de uma foto que tirei, na época e que deve estar no meu site de fotos.

 

Neste momento de loas à imundície pergunta-se “ se foi lícito a Duchamp fazer sucesso, por que não se dá o mesmo direito aos demais que desejam imitá-lo?". Nem me venha com a idéia de que Duchamp sacralizou artisticamente a não-arte” a “não-estética”, e com tanta indagação e critica na cabeça, no final da vida, segundo relatos, acabou desorientado diante de tanto prestígio que faturou com sua própria desorientação.

 

Tudo bem. Já falamos muito e é hora de parar, embora a pergunta que fica é se ainda hoje se compõe com “merda”. Claro que fezes e urina tem, sob o ponto de vista psicanalítico um significado simbólico, estético e religioso.

 

Então, para finalizar, fica a pergunta de como compatibilizar o sagrado, o imundo e o artístico, especialmente quando o foco é a vida no mundo de hoje com a estética dos banheiros químicos e a imundície dos episódios políticos. Então????

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 11h57
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28-10-17


Eu, os meus e os cupins

Há tempos escrevi uma crônica sobre os insetos que atacaram os meus papéis guardados. Fizeram uma verdadeira moxinifada ( restos de insetos, celulose mastigada, excrementos, mofo, etc). Quem nem uma salada, uma miscelânea, um mix. Estou rindo... E o faço de propósito... Pessoas que leem meus escritos dizem que tem de estar com o dicionário ao lado. Aí está mais uma palavra que ninguém mais vai esquecer, principalmente se lembrarmos que sempre vivemos numa verdadeira moxinifada política, ou seja uma mistura confusa de incertezas econômicas, trapalhadas castelares e alopramentos, os mais variados, sem que ninguém sabe se definir. Pior que isso vem acontecendo com o mundo. ( A palavra difícil tem origem no árabe "moksi" – coisa misturada).


Mas o que tem isso a ver com os cupins ? E com a família de um santo espírito? Muita coisa. E já explico.


Se pensarmos que estamos comemorando os 200 anos de Darwin, tem tudo a ver. A teoria evolucionista joga no chão o criacionismo. E, se o cientista vivesse hoje ele veria mais um dado para seus escritos. Veria o quanto os cupins são “ inteligentes” a ponto de nos fornecer elementos para um diagnóstico de nosso eu interior. Eles testam os nossos neurônios como diabinhos prontos para nos testar, que nem o fizeram com o Jesus Cristo. Aliás o texto evangélico de hoje fala numa dessas proezas. Trata daquele caso em que o Mestre chegou à casa de uma família para um “vade retro” no infeliz. Mas foi advertido pela mãe que esperasse a refeição, no que Ele viu que se estava atirando migalhas para os cachorrinhos, embaixo da mesa. E Ele não gostou. Entra em cena a mãe, "advertindo" o Mestre para a humildade famélica dos bichinhos. Comer em baixo da mesa... Ele “pensou” melhor e já deu uma ordem exorcista ali mesmo. Ou seja, a mãe tinha razão. E qual mãe que não o tem?


E justamente no dia desse episódio eu fico sabendo que o quadro A Sagrada Familia, de Portinari, que está como valiosíssima obra, numa Igreja de Batatais, foi atacado pelos cupins. E neste caso, nem se pode culpar o Mestre por tê-lo permitido. É que Ele ainda está no quadro figurado como uma criança ainda, no máximo uns 7 anos, de mãos dadas ao José e à Maria, que também não estão nem aí, pois o mais querem ( pelo menos é o que Portinari quis mostrar, eu acho) é sua bela cria ao mundo dos homens, a maioria de incréus.


Mas os ditos insetos fizeram um bom estrago. Não dá para inculpar ninguém. É questão da teoria evolucionista. Eles “quiseram” mostrar sua inteligência, chamando atenção para o cuidado com os “eus” de cada um . Parecem ter se associado a Jung ou a Lacan, para citar dois astros da psicanálise.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 14h55
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27-8-17


Temporada dos Ipês ( II )

Parte II 

E, nessas reflexões, passou a fase de dúvida. E fiquei com a que melhor soava aos meus ouvidos e se adaptava à beleza dos coloridos ipês que desfilavam na passarela. E me deparei com os ipês floridos. Hummm....que maravilha. Esta frase caberia num "bilhete postal" para Purezinha !

 

Isso mesmo. Nada, discussão alguma retirar pode a beleza do que vemos com os nossos olhares do espírito. Que vá às favas a língua com seus ditirambos ou seus transitivos diretos e indiretos, nos retirando, pro e nominalmente, os direitos de observar o óbvio que insiste em clamar pelo inexorável toque de uma orquestra da natureza.

 

A imagens dos ipês me conduziram à natureza, às árvores, à peroba, uma viçosa árvore, motivo de um conto nos contos-urupês de Lobato, que narra o embate de dois vizinhos, já que a árvore abatida estava na divisa da propriedade e era de um e de outro. A sequidão do tempo veranico por certo era conducente à idéia de suas "cidades mortas" e da leseira de seu indolente Jeca, bonito personagem no romance infantil mas feio na realidade do cotidiano que se repete em tanta jequeira continuada./

 

Imaginei o almoço com os acadêmicos, repuxando nossos risos e matrecolejando gargalhadas. Nossa. Veja só. Que palavras arranjei para este momento. Sim, espere um pouco. Não são minhas. Não há quem não leia o Jurista-Literato Monteiro Lobato e não consiga dele guardar palavras tão bem colocadas.

 

Estivesse ele vendo, hoje, os ipês amarelos, ele renderia graças aos girassóis, tão queridas flores que agora, todas amarelas, compõem este cenário de chuvas que estão por chegar.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 14h46
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