MINHAS CRÔNICAS - MEU SENTIR


15-5-12


Um Bem-te-vi no Parlamento

Estive ontem pelos lados do Parlamento. Estranho, cheguei justo pelo lado em que punham fora o lixo do dia anterior, todo encachoeirado de muitos resíduos da enorme queda d´água, envoltos em sacos plásticos, pretos, suspeitos. Os operários da limpeza eram ágeis, alguns, eles rasgavam os sacos pretos sem dó nem piedade. Não sabia por que. Mas logo vi, que envolvidos na sintonia universal os pombos que, por certo, fregueses constantes da operação, logo bicavam, catando, cada qual, o seu quinhão diário, sua bolsa-miséria, pois, coitados, são também criaturas do Senhor.

Fiquei imaginando humanos no lugar das aves, corvos, urubús ainda não havia, embora voassem pelo alto alguns exemplares, atentos como nunca. E em me disse: “estamos fritos com tanta sujeira.”

 

Junto aos pombos, dos quais eu já fiz um poema deles comendo pão picado enquanto eu passeava com meu cachorrinho, estava um outro pássaro, vestido a caráter, bem brasileirinho, verde-amarelo, azuladinho no bico, e cabeça esperta. A pluma do dorso- cinza, como pombos eram cinza-total, arroxeados alguns, com um bico um tanto atazanado, talvez de uma raça superior de pombos correio, tipos sedex, entrega rápida e garantida. Não lhes fazia concorrência, apesar deste mundo competitivo do parlamento, o tal pássaro bem comportado, afinal de contas, ele sabia que todos o andam bisbilhotando toda hora, com ajuda destes grampos eletrônicos, tanto que possuem uma intitulação de caráter metalinguístico. Seu nome rimava com CPI. Era um Bem-te-vi. Para eles, sob alvo constante de que seus segredos sejam divulgados, eles calam o bico, mas quando podem fazem um estardalhaço danado, principalmente agora que tem gente graúda na relação. E, na companhia dos pombos comedores de pão picado e lixo nobre parlamentar, por certo carregado de muito blá-blá-blá o dia inteiro, ele havia de estar em dia com a compostura depudatícia ou senatorial.

 

Produziu-se muito lixo naquele dia, imaginei. Chegaram bem uns 20 conteineres. Será sempre assim? Montesquieu, aquele do Espirito das Leis, pensara nisto ? E os bichos marcaram firme a presença e eu, também, como bom observador do que acontece em um mundo estranho como aquele, o do Parlamento, lugar onde se fala, fala, e se cochicha, cochicha, com ou sem cafezinho ou vaquinhas, etc e no final sai uma lei, tipo salsicha, um embutido qualquer, com o “exequatur”, palavra bonita para um “cumpra-se” da autoridade respectiva. E fiquei me lembrando se aquilo que foi feito tem algum valor aceitável ou se não era um simples fazer por fazer. Li nos jornais que 60% das leis nas casas de leis simplesmente rasgam e pisoteiam a CF. O resultado do lixo produzido pode, estatisticamente, mostrar algo. Mas não me atrevi a chegar mais perto. Afinal de contas aquela não era a seara de um Advogado. Eu ficaria na minha verve de escritor, até que cheguei em casa, e ainda com o Bem-te-vi na cabeça, encontrei o que disse a filósofa russo-americana Ayn Rand, (judia, fugitiva da revolução russa, que chegou aos Estados Unidos na metade da década de 1920, mostrando uma visão com conhecimento de causa ):"Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada". Ou como eu disse: estamos fritos.

 

Obs final – Fiquei sabendo por um colega expert em ornitologia que bem-te-vi é ave da família muito estranha: a dos “tiranídeos”. Temo por eles. Podem ser chamados a se explicar perante a tal Comissão da Verdade. Será?

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 13h25
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13-5-12


A Verdade - Um grito de ouro

Estou voltando da visita a um museu dos Expedicionários da FEB, em Brasilia. Vi, lá , uma foto de uma manifestação pública no Rio, em 1 945, quando a população brasileira foi,aos gritos, pedir : QUEREMOS GUERRA. E foi ouvida, mesmo com o Getúlio, como o hermano Perón, tendo, ambos, no histórico de vida, um momento de simpatia nazi. Incrível, isto. O que teria resolvido a parada foi uma Volta Redonda. A lição: quando o povo vai às ruas, algo acontece. Houve outros exemplos, 64, incluso, embora o viés ideológico, sempre o mostre de forma transversa. Neste particular, há controvérsia, pois, para alguns que desejam montar, eles próprios, a história, o "golpe" foi dos milicos. O povo foi à rua pedir golpe??? Quais são os apátridas??? A CF 46 foi jogada, de cara, no lixo? O Congresso foi fechado??? Hoje, tanto tempo depois, um novo grito. Está aberto o caminho para se saber a VERDADE. Quem esclareceria tal dúvida, já que a abrangência dos fatos será de 1946 a 1987, algo assim. Ainda bem, pois se fosse 1900 a marca inicial eles iam ver se a teoria de Marcio Souza estaria certo quanto à matança que a construção da Madeira Mamoré causou aos trabalhadores “esqueléticos, maltrapilhos, famintos, abatidos, decrépitos como condenados em campo de trabalho forçado.” ( in Mad Maria, pag 18, Ed Civ Bras, 1980). Nome do algoz principal - um mosquitinho quase invisível. Mas que fez um baita dum estrago, inclusive no território boliviano, em que pese toda a habilidade diplomática baronesa.

Hoje. Enquanto isso, vejo a noticia: o quadro pintado pelo norueguês Munch foi vendido por uma baita grana. Perto de $ 120 milhões US. Um grito de ouro e bem o retratou o pintor, que até tapou os ouvidos da personagem para não ficar surdo ou, ainda no universo da interpretação, fez ficar minúsculo o barquinho perdido no claro marzinho interior, na parte de cima da obra. É uma obra prima da expressão pictórica, mas eu não o queria nem de graça. Ficar ouvindo alguém zunindo no seu ouvido o tempo todo deve ser de lascar. Credo.

 

Não sei por que gosto de falar neste quadro. Tenho fascínio por ela, sob o ponto de vista literário.  Esta é a 4ª. vez. Pode ser que, dele falando, considerando que o cidadão hoje precisa gritar, e nem é ouvido, eu me sinta, um pouco recompensado. Eu me entendo, assim, em sintonia, como se pode conferir nas 3 vezes que invoquei a obra: http://paraclito45.blog.uol.com.br/arch2010-03-21_2010-03-27.html ou no http://paraclito45.blog.uol.com.br/arch2008-03-16_2008-03-22.html e ainda no http://paraclito45.blog.uol.com.br/arch2011-01-30_2011-02-05.html .

 

Na época eu escrevia sobre o clima que antecedia a um “julgamento”. A pergunta: quem estaria com a verdade? Dentro do conviver social, a idéia de julgamento sempre nos leva à idéia da ficção. De um lado, a de “fazer justiça” e seu significado. Foi quando eu apelei para uma pintura expressionista. E dissera, depois de ler Jeremias,sobre os gritos das invectivas da multidão querendo se livrar de um cerco ( agora um circo ) de terror, que deveria ser enfrentado e denunciado, com toda a valentia da alma humana, diante do desespero daqueles que, se dizendo amigos, ficam a espreitar agora os meus passos, um auge de desconfiança e de angústia e destruição. Eu quis dizer mesmo de um expressionismo, o mais forte possível, de um teatro. Um processo em que se busca o castigo por um fato em que há inúmeras controvérsias. Uma questão de Estado. Não de Governo.

 

Fui beber na fonte dos intelectuais, já que o tempo agora, da memória, será por eles dirigido em busca da verdade. Dentre os livros, encontrei os de Bobbio que, Pofessor de Direito, passou pelos fasci-tempos italianos e, numa fase da vida, bateu de frente com os adeptos de marxismo, tido pelo Mestre como regime sem regras para colocar um “rosto humano” ao Estado. E ele perguntava; Qual Estado? Qual socialismo? Mas as indagações do berço de alguns me trouxeram a primeira dúvida: Será que leram Bobbio, premiado - 1989- pela Sociedade Internacional Europeia de Cultura, em função da compreensão entre os homens e os povos, mesmo que tenham padecido com as doenças políticas do mundo atual ? Se a resposta for negativa, já dá pra ouvir a gritaria, e agora, com inteira razão.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 15h33
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11-5-12


Da filosofia latrínica

Reli, estes dias, o livro do Alain Corbin: Saberes e Odores ( Ed Cia das Letras,  1987) . Não resisti, diante da complexidade das eleições na França, e dos dilemas parecidos com aqueles que brilhantemente Saramago expôs em “ Jangada de Pedra”, sobre o espírito dos portugueses às vésperas de aderir ou não à proposta da União Européia. Bom, a razão não suporta o segredo. O jogo da cultura é tentar desvendar. Não importa onde se está.

 

Pessoalmente me interessei e sempre sugiro a leitura de Saramago, pois me senti, em 1886/87, envolvido nestes fatos como turista, quando tive que trocar os escudos por francos para desembarcar em Paris. Um baita prejuízo em $$. E eu mesmo me perguntei, porque não haveria, no mundo, uma só moeda? Sem moral, esta indagação para um brasileiro, exatamente no ano em que houve, somente em 1 mês, uma inflação perto de 30%. Bendigamos o R$ de hoje !!! E melhor: evoluímos, muito, e muito mesmo.

 

Em Paris, eu me lembro, de ir a um WC bem em frente a Notre Dame. Pagava-se com um franco. Só colocar na fresta e a porta se abria. Coisa moderna, nunca vista. Mais que justa, diante da necessidade. No Brasil ainda não havia tais preciosidades para as necessidades urgentes. Para minha surpresa, lá , também, estava uma frase de filosofia latrinária. E me perguntei. Eis aí uma manifestação universal de humanidade unida em traços indestrutíveis, por certo com o enfoque da assepsia urbana em face da condição da nova ordem. A frase: “ Ici, personne c´est differant”. Mais que certo, mesmo em se tratando de um país com abertura considerável para os direitos civis, mas ainda preso numa preceito de família higiênica e eugênica para a pureza do lar burguês, como gostavam de dizer.

 

Alain Corbin poderia se gabar de ter contribuído para aquele achado, vez que descreveu Paris com aquelas terríveis imagens mefíticas, fedorontas mesmo, embora coisa mais difícil , para um escritor deva ser a de descrever odores. É preciso, para tanto, muitos saberes. O fato é que, lá em França, eu me lembrei de uma história que um colega me contava, e cujo final, era ter encontrado, em plena latrina da zona boêmia de Belo Horizonte uma frase que ele logo sabia de quem era, identificando o autor, com a assinatura, diante dos versos:

 

“Fode em cima/ fode debaixo/ fode de lado/ fode de banda – pra vereador vote em Jésu de Miranda.”

 

Banheiros públicos representam função fundamental da normalidade da vida urbana. Os espaços públicos, com suas inevitáveis violações territoriais e perdas de privacidade, seus desconfortos e apreensões que causam, por vezes se tornam espaços para um filosofar. Daí o título. O "território do eu" carrega uma reserva de intimidade e individualidade.

 

Há, porém, efeitos linguísticos curiosos. Veja no verso abaixo ( a ) , que eu vi, 2002, no Tietê, em SP. O poeta aumentou 3 sílabas o 3º. Verso, quebrando-o em dois e provocando um efeito bastante expressivo e no que vem em seguida (b e c), o efeito metalinguístico ( linguagem que fala da própria linguagem ou o catecismo ideológico e moral, confissão de desejo e de culpa).

 

a)“Adão foi feito de barro/ de barro bom e batuta. Mas esse Ademar de Barros/que barro filho da puta.”

b) “Só escrevem merda nesta latrina de merda”.

c) “ Triste merda, triste sina, ser poeta da latrina”.

 

Uma dica de filosofia de vida: sempre que for usar um banheiro público, prepare-se, tanto para não respirar quanto para filosofar.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 14h06
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7-5-12


A vaquinha do Prometeu

Quem escreveu sobre ele foi Ésquilo, mas hoje falará o Espírito. Prometo, nestes tempos de "Cosa Nostra", ser breve. É que a coisa tá feia aqui no Planalto. No meio de uma leréia danada, uma léria logomaquia. Enfim, cum converseiro e a cada momento, um com uma noticia, vindo da cocheira. Cidade do mando politico é assim mesmo...

 

Já não aguento mais esse negócio de bandalheira, CPI, PAC, depoimento, investigação e quejandos outros. Chega. Vamos nos divertir, pois na verdade, acho que esta história está beirando muita sacanagem. E na esteira de tantos causos do tal do goianinho esperto do sertão da farinha podre, que veio depois do dilúvio mensalista, também goiano, fiquei me lembrando do Mito do Prometeu. Nunca vi tanta promessa junta, credo, os caras arrumavam solução para tudo e começaram, enigmaticamente, a empregar as letras gregas, alfa , beta, ômega, delta, psi, sim este para calar o bico de quem poderia botar a boca no trombone. Há coisas que não se pode dizer, das vaquinhas, "nem que vaca tussa".

 

E assim no meio desta fogueira, neste fim de semana, não sei por que motivo fiquei me lembrando, a toda hora, daquele mito grego, o Prometeu. Sim, aquele em mexer com os pauzinhos e, esfrengando-os fazer fogo. Ficou conhecido como o "cara do foguinho", mesmo sendo um Titã ( antigo nome dos "bam-bam-bam" malandros cariocas) , que gostava de enfrentar a ira de Zeus, aliás, este, ave maria, cheio de defeitos, como ficar disputando, com os homens, e até "desejando" suas mulheres. Cara safado esse Zeus !!! Não se assuste, leitor,dizer assim. É que na mitologia grega, o psiquê e o espírito tem uma função importante. O indivíduo precisa saber respirar...( Experimente o exercício do ântropos ), pois é inacreditável que Zeus, ora bem humorado, ora com a avó-atrás-do-toco, tratasse os humanos como bichinhos de estimação.

 

Ou melhor, ter paciência, pois conviver com um cara, mesmo com cara de molusco, que é ou se acha uma divindade e ao mesmo tempo humano, deve ser um baita exercício de esperteza. Credo. Veja o exemplo do tal de Prometeu que , sabendo do ponto fraco de Zeus, que gostava de ser bajulado. Exemplo clássico de seu agir era , quando era abatida alguma vaquinha,  gostava que lhe fossem oferecidas as melhores partes ( não sei se eram as tetas, mas faz sentido!!!). Mas o Tirã, muito metido a sabido, deu um jeito de enganar o bobalhão do Zeus. Matou a vaca de fez dois montes. E cobriu com as peles. Um, por debaixo de uma camada de gordura ( o primórdio do tal de plus $$$), só os ossos e as tripas. O outro, só as carnes boas, sim , estas mesmo que o leitor está pensando. Ou não pensou??? E lhe disse: Escolha aí sua parte... E o Zeus, confiando no cara , que era tipo cachoeira, tinha uma tremenda profissão para cooptar bons e maus, acabou escolhendo a das tripas e dos ossos. Ficou puto, mas não pode fazer nada. Teve que amargar o "preju".

 

Entretanto, tudo bem...a história, bem que que eu poderia continuá-la depois, mas sei  que o leitor está rindo e curioso !!! Então , vou dizer logo, o tal Zeus é vingativo. Além de lhe tirar, do Prometeu, sua habilidade fazer-fogo-fácil ( na verdade ele tinha uma lista de paus que guardava na algibeira paulista) , ainda mandou acorrentar o cara, por acaso, no Monte Caucaso, durante vários mandatos. E, como castigo, ali ele seria bicado, no fígado, diariamente, por um corvo. O cara era forte, tipo estes lutadores de CFC, mas uma bicada diária, exatamente no fígado, tal como uma boa cachacinha, iria matá-lo. Porém ele descobriu que tinha uma maneira de fazer seu fígado regenerar. Aplicou uma teoria que veio de um famoso hospital dos lados da Consolação, quando pegou sua sacola paulista. Descobriu que um ciclo destrutivo diluviano de nada valia, pois nas cachoeiras as águas sempre rolam em cascata. A metáfora das águas é ótima, sempre, desde aquela musiquinha do carná:" a água lava, lava, lava tudo." Um dia, veio um cara forte, também lutador, o tal de Hércules, que o libertou. A esta altura, Prometeu, que nem gato escaldado, foi pra Bahia e as más línguas disseram que iria se tornar um pai-de-santo, mas meio atordoado, virou mesmo um pau-d´água. Tornou-se vegetariano e nunca mais comeu carne de vaca.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 20h54
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6-5-12


Em tempo do Sísifo Sarkozy

Este clima de eleições na França, envolvendo a direita x esquerda está muito parecido com um jogo final da Copa. O clímax estaria na espera de um pênalti, que não se sabe será ou não convertido. Mas o curioso, na história, é a torcida da mídia para que a direita se veja derrotada. Se depender dela, Carla Bruni, malgrado toda a sua formosura. está dispensada como primeira dama. Enquanto isso, eu filosofo, e me pergunto, em tom francês na discussão sobre as representações sociais, se existe alguma relação entre a natureza do princípio sensitivo e a do entendimento. Algo sobre saberes e odores.

 

É legítimo que se preocupe com a França. Três motivos. Um: Especialmente para mim, que tive educação francesa, com os “Frères Du Lazzaro”, que, aliás, por serem grandes torcedores da esquerda, me deixavam, sempre, em questionamentos, coisa natural do jovem quando se vê induzido a uma direção, e até sob pena de “vingança” em termos de aprovação escolar. Dois: Sarkozy é um nome estranho, e me lembra mais nome de um remédio, salvo engano, um lombrigueiro. Três: Carla, linda como é, não fica bem como 1a. Dama. Ela é uma artista.

 

Meu ar crítico se aguçou neste cadinho efervescente. Nada queria com direita, mas via a esquerda com uma desconfiança descomunal. No íntimo, eu pensava - político? Tudo farinha do mesmo saco... E de leitura em leituras, um dos livros que, na época, me impressionou, foi o Mito de Sísifo, de Albert Camus , diretor da Revista Combat, que dizia do absurdismo em que a França se envolveu, a ponto de ter que organizar uma obstinada luta na tentativa de libertar Paris de sua vergonha. A resistência marcou a alma francesa, que se evidenciou no Maio/68, com reflexos no Brasil. Lugar de exílio forçado, ou auto-exílio ( à la Vinicius ), Paris melhor não há. E com vantagem, de depois, de dar uma de vítima e ganhar polpudas indenizações de alguma ditadura direitista burra qualquer. Eu não tenho dúvida. Registre-se: se algum dia eu tiver que ser exilado ou me exilar, quero morar em Villela Fontaine, perto da Pont Neuf, lugar romântico pacas. Bom dimais da conta, uai...

 

Quanto ao tema do livro: foi uma interpretação da alegoria da pedra do castigo imposto pelos deuses a Sísifo que teria que ser elevada, rolando montanha acima e , ao menor descuido, tudo desandava e ele si-fu ( para empregar uma linguagem bem chula). E tudo se repetia, indefinidamente...

 

Hoje, a economia internacional envolveu a França e a Comunidade Européia na mesma história. Tudo que se tenta lá pode desandar a qualquer momento. E daí, talvez, a tábua de salvação na esquerda, com suas sempre novas e prontas revoluções, sem a clandenestinidade que se impôs aos adeptos da resistência e sem as perplexidades de ver uma Editt Piaff indo cantar, na Alemanha, para os soldados da linha fascista. A França dividida e uma alegria confusa, quando a pedra já estava chegando ao cume da montanha, mas com o medo de ela vir, de novo, a desabar. Claro que hoje nem há de se comparar o tempo de provação daqueles 5 anos de luta, que o Camus, um Prêmio Nobel, 1 957, descreveu na expectativa de todos seriam fiéis, pelo menos, a uma esperança de dias melhores, em que se pudesse espetar, tranquilamente , os escargots moluscos, sem sal, servidos nos pratinhos nos restaurantes “fast food” ( ou melhor nos Bistrô de comida rápida, à moda dos soldados russos que foram, como aliados, se juntar aos resistentes) das calçadas floridas do Quartier Latin, com vistas para Montmartre ou para a Notre Dame de Victor Hugo.

 

Então? Será que se o Sarkozy se se for, ou seja, Sísifo,  melhorarão as coisas no Reino da Carla e seu Chanel 5? Enquanto isso, pra me divertir, abro o livro de Alain Corbin, ( Saberes e Odores, Cia das Letras, 1987 ) para relembrar o que senti ao ler suas descrições sobre o clima parisiense, na segunda metade do Sec XVIII, ao tempo em que nem se imaginava Marx ainda rabiscando as primeiras linhas de sua obra e o Leão XIII já urrando, de Roma, sobre as novidades esquerdistas.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 13h25
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5-5-12


O Espírito e a Vírgula

Será que estou maluco? O que tem uma coisa a ver com outra? Será algum ataque de superfluidade? Eu via a reportagem sobre o jogo de xadrez. Fiquei mudo, quando soube que o enxadrista, cercado pela tecnologia, rarissimamente terá condições de ganhar o jogo. Acabou a graça, eu me disse, me lembrando que fui, um dia, um dos jogadores, ainda com o tic-tac do relógio, me forçando a pegar a peça, e , por vezes, acabava, de tão pressionado, me jogando no aspecto probabilístico do jogo. Resultado- não passei da 1ª. fase. Eliminado. Hoje, porém, o jogador já está eliminado na mente, sabendo-se inerte diante das possibilidades da programação.

 

Enfim, há o relógio do progresso em busca da perfeição e da eternidade. O jeito é fazer poesia, eu me determinei. Já que poeta é meio maluco mesmo. Nem as virgulas são necessárias. Que o diabo as carregue. O que importa é o efeito da sonoridade das palavras, que caem no coração, desde que se tenha a chave das decifrações da mente. Porém, desta vez, o jogo das probabilidades estará em seu favor.

 

Uma pausa para respiração...é preciso concatenar, morfológica e sintaticamene, os vocábulos entre si, harmonizando as classes vocabulares, desde um simples substantivo ou numeral até aos termos gerundiais e participiais. A vírgula acaba sendo um tipo de eficaz “antibiótico”, pois controla os anacolutos, elipses, pleonasmos e silepses. Alguma dúvida? Anacoluto, sem sua proteção, é que nem escorbuto sem vitamina C.  A anacômia vai pro beleléu.  É coisa muito científica a ser desvendada. Que nem tentar compreender o preconceito e suas raizes na alma. Ou entender porque o aquecimento global resultará no resfriamento das quatro ( são 4???) tulans da terra.

 

A esta altura, já me sentindo um decifrador de hieróglifos espirituais, eu me pergunto: Qual a expectativa de um leitor que abre o blog de crônicas com o título que foi proposto? Mais: E se eu disser que o grego é a língua dos espíritos? E o é, pois ali todas as palavras que começam por vogal ou ditongo são marcadas por um sinalzinho diacrítico, um matiz, digamos. E isto é o espírito, que pode ser brando ou áspero.

 

Ninguém conseguirá dizer um ântropos (homem), sem respirar, antes, profundamente. Entretanto, em  himno ( hino) quase que se exige, do leitor, uma aula de canto. Assim, os espíritos matizam mesmo o grego. E eu, sabendo disto desde há muito me encantei com isso, especialmente na poesia, onde se fala em contemplação, cantando.

 

Olhe a vírgula aí !!! Ela pode salvar vidas. Vamos provar com aquela história do soldado que, condenado à morte, foi pedir ao Imperador Napoleão que apelasse da sentença. Pelas regras juridicas de França, só ele tinha este poder, nem que o exercesse nas entrelinhas ou entrevírgulas. Então escreveu. “ Se o Tribunal condena eu não apelo”. E lhe entregou o bilhete. E disse mais. “ Tua vida está nas tuas mãos.” O Soldado, que por certo já tinha lido esta minha crônica, leu o bilhete e logo achou, como bom enxadrista, a jogada certa. Pegou a caneta e virgulou e pontuou o bilhete que passou a ter a seguinte redação: Se o Tribunal condena, eu não: apelo.” Resultado: o Tribunal "entendeu" a mensagem. E absolveu.

 

Então, o espírito da vírgula é dar graça a um texto. Nem que seja pelas mãos de um Espírito de humor.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 11h58
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1-5-12


O caso do Zé das Vacas

 

 

Preliminarmente, nada de avacalhação. Trata-se de coisa séria, baseada em milenar história bíblica. Alguns podem até achar que estou zoando com uma “desciclopedia”, mas não. É que vou escrever sobre o Zé. O das vacas.

 

O assunto do BBB , que eu poderia também ter chamado de “Beraba Bovino Brother”, mas enfoquei o lado psicológico do tema, deu o que falar. Muita gente riu. Mas preciso dizer que a proximidade do José com as vacas é coisa de muito tempo. Desde os tempos do Faraó, para ser mais preciso. Sim, o caso do José do Egito, uma estória bíblica pouco lembrada hoje, mas rica em termos de sacanagem de irmão brigando contra irmão, e no caso do José ( descendente de Abraão), vendido, pelos familiares, como”escravo” , aos egípcios, indo parar na cadeia. Mas lá não ficou muito tempo. Logo deram um jeitinho, quando o tal governante teve um delirante e enigmático problema onírico. Da pior espécie. Um sonho que não conseguiu desvendar e que o deixava tão angustiado que nem a Cleopatra, naquela pose toda boazuda, não deu conta de fazê-lo esquecer. Isso até que alguém, não se sabe querendo fazer dele um boi de piranha, deu o bizú: "chama o Zé, aquele hebreu sonso que está preso. Dizem que ele sabe fazer isto." Mãos à obra.

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Mas, o que tem as vacas a ver com isso? José era um mago, um ledor de sonhos, um antecessor de Freud na arte de ler os fatos e interpretá-los, de forma inteligente, contextualizada e adaptada, claro, à necessidade do ouvinte. Isso que o jogador de búzios e horoscopista faz hoje na maior cara de pau. Ele deve ter pensado assim: não estou aqui para falar abobrinhas, tenho que dizer o que ele quer e precisa ouvir. E foi assim, com tal habilidade loquaz, que ele interpretou o sonho das vacas 7 magras, estas , feias, horrorosas, comendo as outras, também 7,viçosas, leitosas que nem as da exposição zebuína do BBB.

 

E a palavra do José foi tão precisa e convincente que o Faraó, encantado. Ele, logo ele, judeu, tirou de letra. Apelou para as leis da economia. Porque não economizar no tempo de vacas gordas, investir na bolsa e guardar o superavit primario para o tempo de crack  financeiro? Resultado - Tornou-se um Delfim, ou Malan, ou algo semelhante. Foi nomeado, de cara, 1º. Ministro, obtendo, dest´arte, a mais rápida e merecida promoção da história do mundo. De “escravo, preso, sujo e maltratado”, se tornou a segunda autoridade do país, não de qualquer país, mas do mais ferrenho adversário de seus ancestrais, os hebreus. Em outras palavras, temos aí um ancestral molusco, com o seu gogó de ouro e lábia sutil. Imagino até que o José, que agora o chamarei de Zé das Vacas, tenha lido Marx ou o Mein Kamptf, do Hitler ( Se tiver que falar uma mentira, minta com convicção, mas aumente bastante, pois assim o povão vai acreditar.)

 

Então, dá pra ver o quanto a história do mundo é surpreendente. Imagine-se um Zé das Vacas desses indo pra Brasilia dar pitacos na politica governamental, especialmente nesta história cheia de cachoeiras e abissais desconhecidos do Pré-Sal. Ele ia deitar e rolar.Então, é preciso entender de vacas, daí o lado magistral deste BBB. E pegar, na sutileza das coisas, até mesmo o agir e o falar ( ou o ficar mudo, dizer que não sabe de nada) diante daquela brincadeirinha de criança: “vaca amarela, pulou a janela, quem falar primeiro...”

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 12h07
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29-4-12


BBB - Psicologia bovina

Este abril, maio já o fecha. Hoje estive na exposição de bois, a famosa feira de agro-negócios do Triângulo Mineiro. Há muito tempo não o fazia, e pude, com tranquilidade, passar pelos estábulos e comparar com os tempos outros. No íntimo, talvez conferir as palavras de Ramalho. Pude ver um lado da "vida de gado" e fazer ilações com o "povo marcado e povo feliz", da admirável canção nordestina.

 

Gostei e não gostei. Não fiquei feliz em ver os animais ali, encarcerados em suas algemas, correntes , cordas, seu espaço do campo tomado pelo confinamento de alguns dias. Se boi pensasse e pudesse decidir aquela era sua última opção. Um boi diria: " O que???eu entrar neste BBB ( big brother bovino) ???? E depois passar por aqui algum espirito de porco e ficar me analisando???"  Os vi muito, muito tristes. E cheguei a imaginar se as coisas se alterassem, num mundo imaginário, em que eles, conosco, os humanos, trocassem de lugar.

Fiquei a pensar, então, numa improovável  “psicologia bovina”. O que "diriam" bois tão famosos de uma novidade como " Aí, se te pego" do Teló??? Há os horoscopistas que tem, naquele animal, um símbolo, me parece do mês de fevereiro. Ou um similar, o aries, este tenho certeza que é de março. Ouvi, alguém, uma vez, dizer que o indivíduo aficcionado ao boi nada tem de sonso e boboca. Ao contrário, gosta de fazer parte de uma equipe, mas conserva em grande medida sua autonomia; seus impulsos e individualidade dominantes em geral impede-os de ficar muito tempo no papel de seguidor.

 

Mas eles teriam uma personalidade forte, tanto quanto esbeltos os vi, hoje, encurralados, quase que obstinados, dizendo assim "do jeito que eu quero ou de jeito nenhum". Podem até dizer que são egoístas, mas será? Vi, dois deles, terçando chifres por causa de uma saco de feno. Mas é justo, cada um protege primeiro seus interesses. Mas no fim ele adota o interesse das pessoas queridas que o cercam.

 

E que tamanho, os bichos. Deve ser perto de uma tonelada. São, indiscutivelmente, verdadeiros "pés de boi". Sei lá. Robusto, seco e sólido, de porte entroncado. Vive para quem ama. E por isso neles vejo um olhar contemplativo, linguagem colorida e berro forte, para uma vaca circunstante, por certo uma poesia melodiosa. Ali é um lugar onde os "mãos de vaca" não tem vez. Tem que ter grana alta.

 

Tudo bem. E quem diria que o caipira mineiro foi buscar um trem daquele, há mais de cem anos, numa exposição alemã, que , por sua vez, os compraram na Ìndia. Fizeram, seus ancestrais, uma viagem de oito meses, passando pela Africa e chegando a Santos e vindo para Minas. Então, o taurino é mesmo de uma paciência de Jó. BBB deve lhes fazer bem. Amém.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 19h30
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24-4-12


A favela da Casé

Na Feira do Livro para Juventude que acontece no Rio a atriz Regina Casé apresentou livros que falam de nomes de árvores. Um deles, favela, que teria vindo da caatinga nordestina, que seria nome desses e que acabou denominando o lugar com o conjunto de casebres. Noutra reportagem, sobre a India, há uma comparação entre as favelas nossas e das dos indianos. As nossas, perto de algumas da Howard Station seriam habitações de luxo, com direito a área de churrasqueira e vista para as maravilhas do Cristo e do Atlântico. Beleza. Todos somos do Brics.

Em face da polêmica do termo “favela”, acrescento elementos outros. É sobre a favela e fivela. A esta altura estou no bar, sob o calor da tarde e, sedento, alio o nome do local – Bendito Suco – ao nome de algo que mate a sede. Dentre muitas opções, fico com a abençoada água de coco, que me é servida em uma fruta, ainda verde, sobre a casca da qual foram pintados desenhos que lembravam pinturas rupestres. São traços bem primitivos, só com as rápidas garatujas que os ancestrais registravam e que os petróglifos ainda mantêm para estudos dos paleontólogos por aí afora. Em minhas reflexões, enquanto a bebo, ergo o olhar e diviso, na parede, a réplica da obra de Tarsila do Amaral, as Favelas, onde a alegre pintura, quase ingênua, da primeira metade do século passado, mostrava a vida de um aglomerado de casas, com seus coqueiros, meninos soltando pipas e meninas brincando de casinha e de boneca. A doce vida, eu disse. O garçon me pergunta se a água está boa e eu respondo: “sim, estou tendo muita inspiração”. Já não há favelas assim. Daí o título.

 

Um pouco antes eu tomara contato, por leitura, com algumas idéias sobre assertividade. Era um tipo de escrito de auto-ajuda, desses que aparecem a torto e a direito, em todo lugar. O autor quis enfocar o tema sob a ótica do ruim. Falava das tragédias que, na vida em família, se abatem sobre pessoas. Era citado o caso de Édipo, rei. Nem vou escrever seu título com maiúscula, pois a história é de arrepiar, por envolver ditos do destino, no caso dele, o praticante de um incesto, algo que os deuses, de todas as religiões, pretenderam mostrar como reprovável. Apesar de tantas divinações e de todos os prognósticos oraculares e de toda a manobra dos céus para prevenir ( não se sabe se isto fez ou não parte da manobra “suja” da lição ), as voltas da vida, nisto incluindo o fato de ter ele provocado, sem o saber, a morte do pai, acabaram o levando ao amor e aos braços de Jocasta, que era sua mãe, também sem o saber, claro. Coisas do destino. Não demorou aparecer a verdade. O problema é que, logo que feitos os “testes de deneá” da época, por obra daqueles entes mitológicos fofoqueiros, Édipo, desesperado e louco, se arrancou os olhos. Um castigo que ele, muito assertivo, se impôs a si próprio. O texto fala que ele usou, para extirpar os olhos, a fivela do cinto, para nada mais ver e se castigar.

 

Parei pra pensar. E pensei mais e mais. Eu tinha lido, há tempos, uma outra versão. Ele o fizera com o dedo médio, que era, na época, o anular. Sim, destes onde se coloca aliança de casamento. O dedo, dizem, o mais agressivo da mão. Não sei se é, mas falaram... Essa da fivela foi surpresa. E fiquei pensando, pensando. Até que me vi, pensativo, tomando água de côco, com aquelas escritas antigas e, mirando uma réplica de obra de arte.

 

Eu dizia sem parar : “uma fivela, uma favela”. Um instrumento de auto-tortura. Uma vida alegre do quadro de Tarsila. Fivelas e favelas, lembrando que este nome vem das favas, brancas, leguminosas que os habitantes daqueles cortiços comiam para matar a fome.Um verdadeiro feijão-com-arroz. Tinha a cor deste e o ferro daquele. Naquela época, pelo que o quadro diz, não se apertavam as fivelas dos cintos. Todos iam, literalmente, às favas. E estavam muito felizes. Hoje nem tanto. Parece que os cintos apertarem além da conta. E foram além, pois se as fivelas ainda continuam tendo seus fuzilhões e ilhoses, as favelas também arranjaram seus fuzilões e obuses. Tarsila, se as pintasse hoje, iria lhes dar, por cero, outro matizado de cores mais quentes e não mais as verde-azuis da bonança.

 

Acabo de tomar o meu bendito suco e um novo título surge para minha nova crônica. Naquela hora e naquelas circunstâncias, o tempo, Cronos, como entidade, me deu de presente um motivo para escrever algo do assunto, pela proximidade de duas palavras e de dois conceitos, em si contraditórios, mas que se unem em um apenas, o meu tema. Pena que não tenha escrito um livro para a Feira. Ia dar um debate danado.

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 19h03
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22-4-12


A polêmica da pintada jurídica

Ainda no rastro da onça pintada que pintou nos lados do STJ, por este presente ninguém esperava aqui na Capital, aos seus 52 anos. As notícias que correm no meio jurídico da Capital é que o processo do mensalão vai ser colocado em pauta. Aliás, do meio jornalístico, nunca ele saiu da lista de assuntos mais comentados e falados. Apesar dos “ disse-que-disse” e dos “eu-não-sabia”, ele continuou produzindo "filhotes de ficha-suja", no mesmo lócus geográfico de onde viera, planaltos centrais dos Sertões da Farinha Podre, como eram chamadas tais encachoeiradas terras da Cora, ao tempo dos bandeirantes e azedos mineiros homens de botas, bombachas e arcabuzes que enfrentavam os índios e seus machados guerreiros.

Mas se o mensalão vai enfim entrar na pauta, agora é hora de a “onça beber água”. O Lago Paranoá vai ser a nossa Fonte do Itororó, já que as cabeças vão ser "toradas", no dizer caipira goiano abestatalhado. Só que não avisaram à onça sinaleira que há um foro privilegiado, uma questão constitucional de privilégio. Então o lago certo de ela ir beber água, será o laguinho falso do Congresso Nacional. É lá que os réus, por certo, receiam que ela apareça, pois antes que se dirijam ao Supremo, terão que lhe fazer os devidos " data-venia", com o perigo de tentarem corrompê-la com alguma ajudazinha extra de cestas de fome-zero, que, para tanto, teriam que apresentar alguma PEC ou PL, pois só aos que tem título de eleitor. Ao que me consta, onça não vota. Só os amigos dela, sim, que para isto são intitulados até nos dicionários do Houaiss, os famosos " amigos da onça", desde  o Péricles da Revista O Cruzeiro.

 

Tem que botar as autoridades pra agir, rápido. Até mesmo o Ministério, que seja o da Pesca, sei lá. Mas algo tem que ser feito.

 

E sobre a questão felina que anda rondando os tribunais, colho do blog do Mauricio www.zmauricio.blogspot.com esta preciosidade, que ora reproduzo, com minhas homenagens ao ilustre colega blogueiro: “Polêmicas à parte, a Polícia Militar tranquilizou os brasilienses garantindo-lhes que ainda não chegou a hora de a onça beber água. O bicho atravessou a cerca do estacionamento, mas, não tendo encontrado a pessoa que procurava, voltou para a mata que fica atrás da construção. Onça que não acha o que comer – diz o ditado - devora os próprios filhos... Os brasilienses, entretanto, preferem não cutucar a onça com vara curta. Ontem mesmo, enquanto os especialistas instalavam armadilhas para capturar a besta-fera, os governistas montavam sofisticadas arapucas para imobilizar a oposição. E vice-versa, pois filhos de onça já nascem pintados".

 

Mais adiante o Mauricio continua, dentro do alerta que eu falei. E mais ainda agora que se falou em "pintados" que são uma espécie de peixe lá velho Chico:

"Ajuda especial foi solicitada à frota de lanchas do Ministério da Pesca. Vocês podem estar se perguntando o que a pesca tem a ver com onça. Mais uma vez foi o douto Pangloss de Westphälen que esclareceu a suposta incoerência: “O Ministério da Pesca tem de ficar em prontidão nas margens plácidas do Paranoá, pois a qualquer momento vai chegar a hora de a onça beber água”.

 

E assim fecha o texto: “Entretanto, recomenda-se cautela: antes de matar a onça, não se vende o couro; e é sabido que depois da onça morta, até cachorro urina nela. E vale o conselho de meu avô, notório caçador e espingardeiro do sertão das Gerais: lugar onde tem onça, macaco não pia.”

Escrito por JOSÉ DO ESPIRITO SANTO às 13h59
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